A última esperança de participação
política consequente e
promessa de virtude cívica foi a do PT,
que também desencantou eleitores e
simpatizantes

Corta para o Brasil atual. “Idiota”, lhe dirá qualquer
eleitor desencantado, é quem se deixa levar pela política e pelos políticos.
Houve um momento na história recente da humanidade em que “idiota” perdeu seu
sentido grego de infenso à política e ganhou seu sentido moderno de ludibriado
pela política. No Brasil, a política nos fez todos de idiotas. A última
esperança de participação política consequente e promessa de virtude cívica foi
a do PT, que também desencantou eleitores e simpatizantes. Fora da fugaz
esperança representada pelo PT, tivemos uma sucessão de “blefes” que foram
minando nossa crença na política e nos políticos, a ponto de hoje você dizer
que “é tudo ladrão”, e ninguém contestar a frase reducionista. Não se estudará
nossa história sem concluir que esta foi a geração da grande e irreparável
ilusão política, prenúncio de sabe-se lá o que virá. Assim como a falta de
calorias vai nos imbecilizando, a privação política vai nos idiotizando. Há
quem pense que a solução é resgatar o sentido original da palavra para poder
dizer que é idiota no bom sentido, o sentido de quem só se interessa pela
administração do próprio umbigo.
Nota tipo nada a ver: de onde virá a palavra “blefe”? Meu
palpite, sem nenhuma base etimológica, é que vem de bluff, que na linguagem
universal do pôquer significa apostar como se tivesse uma boa mão sem ter nada.
Uma definição da classe política brasileira.
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