"O duplo padrão moral do PT "
Rodrigo Constantino
O discurso do ódio vem do lado petista.
Ou: Chega de equivalência moral entre o que é essencialmente distinto!

Não existe postura mais fácil – e também covarde e injusta – do que essa suposta neutralidade forçada. É como um pai que chega em casa, descobre que um dos filhos fez uma enorme besteira, e sem querer averiguar melhor qual foi o culpado, simplesmente coloca os dois de castigo. Conquista aplausos fáceis quem finge estar “acima” dessa briga suja, como um “pacifista” que condena “os dois lados”. Mas e quando um lado é o culpado?
O mesmo tipo de postura leva muita gente a adotar conclusões injustas no Oriente Médio, por exemplo. Condenam tanto Israel como os terroristas islâmicos, como se houvesse equivalência moral entre ambos! Um tenta proteger suas crianças e minimizar as perdas inocentes do outro lado, enquanto o outro usa as próprias crianças como escudo e tenta deliberadamente fazer vítimas civis do lado de lá. Na Guerra Fria, a mesma coisa: o neutro criticava tanto os Estados Unidos como a União Soviética. Ou seja, na prática, era indiferente entre os defensores da liberdade e os tiranos.
PELA LÓGICA NINGUÉM ERRA SOZINHO, A NÃO SER QUE O ERRO VENHA DE UM LADO QUE NÃO SEJA O NOSSO.
Claro que reconhecer a atitude completamente errada de um dos lados não é o mesmo que endossar uma ideia de perfeição do outro. E é esse detalhe que faz com que tanta gente prefira o confortável e injusto grupo dos “neutros”. Quem enxerga o discurso de ódio do PT, por exemplo, quem sabe que o partido sempre usou a tática de descer o nível, não precisa, por isso, achar que o PSDB é santo. Basta ter um mínimo de critério de ponderação e comparação objetiva.
O esquerdista Arnaldo Bloch, em sua coluna de hoje, comete exatamente tal injustiça. Trata os dois lados como igualmente raivosos, o que é absurdo. Mas é uma tática que a esquerda vem usando há anos. Comparam o “pitbull” Reinaldo Azevedo com os radicais de esquerda, como um Guilherme Boulos do MTST, por exemplo, ignorando que um é cidadão ordeiro, cumpridor das leis e defensor da democracia, enquanto o outro é violento, agressivo e até criminoso, ao invadir propriedade alheia. Mas acusar os dois lados de “radicais” encerra a questão para muitos. Só que de forma injusta.
Ninguém tem nada parecido para mostrar do lado tucano a essa fala de José Dirceu, por exemplo, um dos que mais incita o ódio e que ainda é defendido pelo PT:
Quando vemos esse tipo de discurso partindo das lideranças petistas, podemos entender melhor o caso dessa professora comunista destemperada, com um adesivo de Dilma, que peço até desculpas aos leitores por divulgar, tamanha a baixaria:
Alguém quer mesmo dizer que isso é comparável a qualquer “radicalismo” do lado tucano? Fizeram uma celeuma porque o Gregorio Duvivier foi “quase agredido” num restaurante chique do Leblon. O caso foi parar na coluna de fofocas de Ancelmo Gois, e de forma bem deturpada. Blogs sujos chegaram a me acusar pelo episódio, pois a expressão “esquerda caviar” foi usada pelo “quase agressor”.
Conhecidos meus presentes no local disseram que não foi nada do jeito que relataram. Ninguém ameaçou diretamente o humorista. Comentaram com terceiros que hipócritas socialistas mereciam umas porradas, e só. Mas o caso foi pretexto para a “indignação” simulada dos blogs petistas. Algum deles pretende se manifestar sobre essa doida do PCB que defende Dilma e agride tucanos?
Um peso, duas medidas. O duplo padrão moral do PT, que conhecemos tão bem. Não vamos cair nessa de “condenar o radicalismo de ambos os lados”
, pois há um lado verdadeiramente radical, disposto a tudo para se perpetuar no poder, e esse lado é o petista. O outro está cansado, indignado, disposto a lutar, mas dentro das regras. O ódio vem de lá. A baixaria também. E as pessoas decentes estão saturadas dessa covardia de quem trata com equivalência moral o que é essencialmente distinto.
PS: Se o povo brasileiro tiver juízo e Aécio Neves ganhar, o tucano terá de ser magnânimo e governar para o Brasil como um todo, sem rancores, sem ressentimento, sem ódio. Tenho convicção de que assim o fará, pois não é digno da vitória quem se vinga, como dizia Voltaire. Só não devemos tolerar os intolerantes, claro. Agora, se Dilma vencer, sabemos que a segregação vai continuar, que a incitação ao ódio e à luta de classes também, e que haverá tentativa de retaliação a todos aqueles que ousaram ir contra o partido autoritário. Eis o abismo moral intransponível que separa ambos os lados.
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