Este espaço é desaconselhável a menores de 21 anos, porque a história de nossos políticos pode causar deficiência moral irreversível.
Este espaço se resume
, principalmente, à vida de quengas disfarçadas de homens públicos; oportunistas que se aproveitam de tudo e roubam sem
punição. Uma gente miúda com pose de autoridade respeitável, que
engana o povo e dele debocha; vende a consciência e o respeito por si próprios em troca de dinheiro sujo. A maioria só não vende o corpo porque este, além de apodrecido, tem mais de trinta anos... não de idade, mas de vida
pública.


OPINIÕES PESSOAIS

sábado, 15 de outubro de 2016

Direita, esquerda, volver ...

... ou VOU VER ?
 
 
AS ESQUERDAS E O MEDO
 
 
“A tentação totalitária será talvez mais poderosa
que a aspiração ao socialismo, o ódio ao capitalismo
suficientemente violento para fazer aceitar a destruição
da liberdade, a paixão nacionalista suficientemente
fanática para perpetuar sobre a Terra
 uma eterna guerra civil.”
 
Jean-François Revel, 1976
 
 
Waldo Luís Viana*
 
 
As esquerdas pararam no tempo e dividem a política entre direita e esquerda, revivendo nostalgicamente o mundo perdido da Revolução Francesa. Mesmo em nossa pós-modernidade acelerada, com tecnologias alucinantes e transformações diárias no campo da física das partículas, vemos os defensores dessa tendência ideológica tentando dividir o mundo em dois, entre mocinhos e bandidos, deus e o diabo e outras facilidades capazes de iluminar o entendimento dos idiotas e de todos aqueles que não querem ser perturbados pelo benefício da dúvida. Então, esquerda é o lado bom e direita é tudo o que não presta. Ainda bem que sou canhoto (ou sinistro), embora saiba, no fundo, que o Universo não contém lados...
 
         As esquerdas, que segundo alguns não conseguem se unir nem na cadeia, vaticinam que a direita é um conjunto de interesses ligado aos ricos e muito ricos que querem difundir o medo entre a classe média e os pobres para assumir o poder político e estragar todos os avanços produzidos pelo atual governo.
 
         Na medida em que as eleições no Brasil se aproximam, imaginam um mundo dual, em que a candidata escolhida pelo presidente (poderia ser também outro qualquer) representa o lado “bom”, enquanto o candidato de oposição, o lado “mau”, esconde atrás de si tudo o que não serve e que arrasará as grandes conquistas das classes trabalhadoras, vale dizer, o fome-zero, o primeiro emprego, a assistência odontológica gratuita, os médicos de família, o ProUni, os estatutos do Idoso e de Igualdade Racial, a Cartilha do Politicamente Correto, a transposição das águas do São Francisco, os programas de aceleração do crescimento e o famoso bolsa-família.
         Argumentam que o nosso presidente perdeu diversas eleições porque o medo sempre superava a esperança e, em 2002, a população resolvera o contrário, que a esperança superasse o medo “espalhado” pela direita. O presidente venceu e repetiu a dose em 2006, montando o atual paraíso em que vivemos e que precisa, segundo eles, perdurar.
 
         A máquina montada pelo governo deseja continuar de pé, um sistema de pelegos, gestores de ONGs e fundos de pensão, bem como  manipuladores de movimentos sociais e estudantis, que gastam uma montanha de dinheiro chupada dos contribuintes, numa derrama muito pior do que a infligida aos brasileiros nos tempos de Tiradentes.
 
Essa rede quer perenidade, ser indestrutível e precisa da legitimidade eleitoral de uma população deseducada em sua maioria e que obrigatoriamente comparece às seções eleitorais para votar em urnas eletrônicas, sem recibo e qualquer controle efetivo dos partidos políticos. Nosso sistema de votação é tão bom que foi repudiado pela maioria das nações desenvolvidas, que não aceitam as inovações brasileiras no setor.
 
         Para atingir, porém, bons resultados na campanha, as esquerdas pretendem utilizar exatamente o que condenavam outrora na direita. Sentindo-se acuadas, pela fraqueza da candidata escolhida, que jamais disputou um pleito e começa a soltar gafes por todo o país, sem deter absolutamente o charme e carisma do chefe, o governo prepara um projeto eleitoral baseado exatamente no medo.
 
Espalhará e repetirá pelo país várias mentiras de laboratório: que o outro lado abusará das privatizações, incluindo aí a Petrobrás, o BNDES, a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil; que a direita vai extinguir o bolsa-família e todas as demais políticas compensatórias e sociais acima referidas, assim como perseguirá os trabalhadores e as minorias retirando-lhes benefícios tão duramente conquistados.
 
Esses argumentos, infelizmente, têm com pano de fundo real (e não simplesmente declaratório) o aparelhamento do Estado pelos agentes da pelegada sindical, dos fundos de pensão, movimentos sociais e do chamado Terceiro Setor – todos associados à monumental corrupção do socialismo de mercado, com seus métodos sobejamente conhecidos de mensalões, dólares nas cuecas, dossiês e licitações fraudulentos e favorecimento e nepotismo dos “cumpanhêrus”.
 
Quem sabe ainda veremos, no horário eleitoral gratuito, as apelações de sempre, com retratos de Getúlio Vargas e do atual presidente caindo da parede no chão, caso o candidato da oposição venha a ficar em posição de destaque próximo ao pleito, como se todas as conquistas do povo brasileiro pudessem ser automaticamente derrubadas por ele, caso ganhe o embate eleitoral.
 
Isso é instilar puro medo, um dos gigantes da alma, na veia do brasileiro, influindo decisivamente no destino das eleições da maneira mais desabrida e hipócrita. Assim, as esquerdas estão fazendo, como  emprestaram, sem qualquer pudor, as ideias nazistas de Goebbels, que martelava mentiras sobre o povo alemão até que se transformassem em verdades.
 
Aliás, os totalitarismos de esquerda e direita no fim sempre se tocam, porque se utilizam dos mesmos métodos espúrios. Ambos os lados não acreditam em Deus e suas filosofias políticas são baseadas no ateísmo, na moral e no direito dos vitoriosos; também valorizam o homem social em detrimento do valor e dos direitos do indivíduo; pensam, ainda, como rebanho, seguindo o que determinam as  assembleias de ovelhas domesticadas e manipuláveis, mas, paradoxalmente, para atingir seus objetivos, sempre necessitam de um líder voluntarioso, que “lhes mostre o caminho”.
 
Assim, o culto a uma personalidade faz recair sobre um indivíduo toda a responsabilidade pela redenção do homem social –  eis a suprema contradição totalitária, o que gerou, na prática, a ascensão de Hitler, Mussolini, Fidel Castro, Pol Pot, Mao Tse-Tung, Lênin e Stalin. Para que esses senhores prosperassem, a liberdade teve que ser destruída em nome da delação, da polícia secreta, da tortura massiva de adversários do regime, dos gulags, das deportações e campos de concentração. Somente os povos que sofreram tais opressões sabem o preço a pagar pela recuperação de sua liberdade...
 
O povo brasileiro fica, por causa desse contexto, como se estivesse com a faca no pescoço e o eleitor vai à cabine eleitoral como se fosse a um matadouro: tem medo de desconsiderar seus irmãos na hora de votar, porque o que o governo lhes mostra é simplesmente uma opção pobre e plebiscitária. Se votar nas esquerdas, viverá a prosperidade atual, com ótimas escolas, estradas e ferrovias; ótimos, hospitais e portos, bem como segurança nas cidades, além de médicos, professores e policiais satisfeitíssimos com seus salários. Continuaremos a viver nesse país de justiça rápida para os pobres, negros e prostitutas e lento e caridoso com os ricos, afortunados e amigos do poder, além de políticos sempre preocupados com o bem do povo e não com os próprios bens.
 
Se, ao contrário, o brasileiro votar contra o governo, aí embarcará numa noite escura de medo e desolação. Esse é o puro medo que o governo quer...
 
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* Waldo Luís Viana é escritor, economista, poeta e tem tanta coragem quanto mulher de militar...
Teresópolis, 21 de abril de 2010.