Este espaço é desaconselhável a menores de 21 anos, porque a história de nossos políticos pode causar deficiência moral irreversível.
Este espaço se resume
, principalmente, à vida de quengas disfarçadas de homens públicos; oportunistas que se aproveitam de tudo e roubam sem
punição. Uma gente miúda com pose de autoridade respeitável, que
engana o povo e dele debocha; vende a consciência e o respeito por si próprios em troca de dinheiro sujo. A maioria só não vende o corpo porque este, além de apodrecido, tem mais de trinta anos... não de idade, mas de vida
pública.


OPINIÕES PESSOAIS

terça-feira, 21 de abril de 2015

Carta do irmão do escritor João Ubaldopara a PresidantA


Senhora Presidente,


A senhora provavelmente jamais irá ler está mensagem enviada por meio de rede social. Começo por esclarecer que sempre situei-me ideologicamente na esquerda e votei na senhora; é verdade que votei muito mais em um programa político de inclusão social do que na candidata. O único senão é que sou elite, como a senhora o é e os seus ministros e dirigentes do PT o são. Portanto um pecado venial.
 

A Presidente – desculpe-me, mas não consigo falar ou escrever Presidenta (coisas talvez de uma educação elitizada) – sempre teve um temperamento forte e no seu primeiro governo quem mandava era a senhora. Para o bem e para o mal. Eleita para um segundo mandato por uma diferença pequena, mas que não tira a legitimidade da eleição, a senhora até hoje não conseguiu tomar posse do seu cargo. Perdão, mas a Presidente parece um zumbi andando a esmo pela república. Perdeu a eleição para a Presidência da Câmara, fazendo emergir o Deputado Eduardo Cunha que, na prática, é quem manda no país, pelo menos no Executivo e Legislativo. Até seu líder na Câmara ele demitiu. Faz o que quer, fala mal do seu governo e a senhora, com seu temperamento belicoso, ainda pede desculpas. Não sei se a Presidente sabia ou não do chamado “petróleo”, porém, se sabia, ainda não há indícios efetivos. Ao contrário do Primeiro-Ministro Dep. Eduardo Cunha que o STF autorizou a abertura de inquérito certamente por haver claros indícios de ter sido beneficiado pelo esquema. E ainda assim, a senhora assume a chefia de estado envergonhada e deixa que ele, com toda a imodéstia, assuma a chefia do governo e o transfira para o Congresso. Para ele e para o PMDB a senhora só será Presidente – apenas chefe de Estado – até o dia que quiserem e, por isso, exigem a pusilanimidade do seu governo. É possível que estejam certos.
 

Para o ajuste fiscal a senhora cedeu e escolheu um economista brilhante, Dr. Levy, da escola de Chicago. Sim Presidente, a escola que comandou com sucesso a economia na feroz ditadura de Pinochet e que deu certo exatamente por este motivo: ninguém era louco de protestar. Hoje Levy, que não tem compromissos com a senhora, é chamado de andorinha do Planalto para fazer sozinho o verão. Talvez só consiga, despachando direto com o Primeiro-Ministro Eduardo Cunha e com a oposição. Viu? A senhora não é chefe de governo.
 

Neste quadro, a popularidade do seu governo é insustentável. A senhora viu na pesquisa do Datafolha. A base popular do seu partido já a isolou e hoje protesta contra o seu governo. O Senador Renan, outro da lista de Janot, não atende telefonema da senhora que é a Presidente da República. A senhora é uma refém sangrando (no dizer da oposição) e recebendo pequenas transfusões para ficar viva e continuar sangrando.
 

Humildemente, como simples cidadão, vejo três alternativas. A renúncia como Jânio Quadros. O suicídio como Getúlio Vargas. Ou recuperar os seus dentes e assumir o seu mandato, se tiver condições objetivas para tal. Cid Gomes, que não é maluco e nem bobo, não acreditou na hipótese da senhora recuperar o mandato e criou as condições para a saída honrosa e combativa do seu ministério aproveitando a fama de temperamental. Não Presidente, não quero o ato extremo do suicídio que é uma renúncia muito radical. Renuncie apenas ao seu mandato, negociando com Temer a dupla renúncia para podermos ter uma nova eleição ou, melhor ainda, a aprovação de uma emenda constitucional ao Ato das Disposições Transitórias permitindo a convocação imediata de eleições gerais para a área federal (executivo e legislativo). Pelo amor à pátria.

Meus respeitos.

Atenciosamente,

Manoel Ribeiro