Senhora Presidente,


Para o ajuste fiscal a senhora cedeu e escolheu um economista brilhante, Dr. Levy, da escola de Chicago. Sim Presidente, a escola que comandou com sucesso a economia na feroz ditadura de Pinochet e que deu certo exatamente por este motivo: ninguém era louco de protestar. Hoje Levy, que não tem compromissos com a senhora, é chamado de andorinha do Planalto para fazer sozinho o verão. Talvez só consiga, despachando direto com o Primeiro-Ministro Eduardo Cunha e com a oposição. Viu? A senhora não é chefe de governo.
Neste quadro, a popularidade do seu governo é insustentável. A senhora viu na pesquisa do Datafolha. A base popular do seu partido já a isolou e hoje protesta contra o seu governo. O Senador Renan, outro da lista de Janot, não atende telefonema da senhora que é a Presidente da República. A senhora é uma refém sangrando (no dizer da oposição) e recebendo pequenas transfusões para ficar viva e continuar sangrando.
Humildemente, como simples cidadão, vejo três alternativas. A renúncia como Jânio Quadros. O suicídio como Getúlio Vargas. Ou recuperar os seus dentes e assumir o seu mandato, se tiver condições objetivas para tal. Cid Gomes, que não é maluco e nem bobo, não acreditou na hipótese da senhora recuperar o mandato e criou as condições para a saída honrosa e combativa do seu ministério aproveitando a fama de temperamental. Não Presidente, não quero o ato extremo do suicídio que é uma renúncia muito radical. Renuncie apenas ao seu mandato, negociando com Temer a dupla renúncia para podermos ter uma nova eleição ou, melhor ainda, a aprovação de uma emenda constitucional ao Ato das Disposições Transitórias permitindo a convocação imediata de eleições gerais para a área federal (executivo e legislativo). Pelo amor à pátria.
Meus respeitos.
Atenciosamente,
Manoel Ribeiro
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