Este espaço é desaconselhável a menores de 21 anos, porque a história de nossos políticos pode causar deficiência moral irreversível.
Este espaço se resume
, principalmente, à vida de quengas disfarçadas de homens públicos; oportunistas que se aproveitam de tudo e roubam sem
punição. Uma gente miúda com pose de autoridade respeitável, que
engana o povo e dele debocha; vende a consciência e o respeito por si próprios em troca de dinheiro sujo. A maioria só não vende o corpo porque este, além de apodrecido, tem mais de trinta anos... não de idade, mas de vida
pública.


OPINIÕES PESSOAIS

sábado, 27 de junho de 2015

DESTRUIR - O Verbo que decide/Zuenir Ventura

Zuenir Ventura
27/06/2015 0:00
 
O verbo que decide  
No ‘Novo Aurélio’ e no ‘Houaiss, de sinônimos e antônimos’,
os mais de 20 sentidos atribuídos ao termo
destruir têm todos
conotação destrutiva ou negativa
 
Uma das provas da Operação Lava- Jato contra Marcelo Odebrecht, preso desde o dia 19, criou uma polêmica de natureza semântica esta semana. É que um bilhete manuscrito pelo diretor-presidente da construtora, com orientação a seus advogados para um pedido de habeas corpus, foi apreendido pela Polícia Federal na segunda-feira, contendo, além de referência à colocação de sobrepreço de US$ 25 mil por dia em contratos, a seguinte recomendação: “destruir e-mail sondas”. O empresário, que estava fora da cela para se encontrar com os profissionais que o defendem, afirmou que seria para entregar a eles. A mensagem foi apreendida, fotocopiada por agentes da Polícia Federal e encaminhada ao juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, responsável pela condução das ações penais da operação.

A ele, Dora Cavalcanti, advogada de Marcelo Odebrecht, endereçou uma petição alegando que o bilhete versava sobre vários pontos do longo decreto de prisão e refletia o anseio de seu cliente em exercer sua autodefesa e contribuir com o trabalho da Justiça. Quanto à palavra “destruir”, fora usada no sentido de “desconstituir”, “rebater” e “infirmar”, não como ordem para destruição de provas. A interpretação da PF, segundo ela, foi equivocada e as considerações do delegado Eduardo Mauat da Silva, integrante da força-tarefa da Lava-Jato, “fazem antever a lastimável determinação de criar celeuma onde não existe”.

O problema é que nenhuma das três acepções usadas pela advogada para o verbo “destruir” consta do verbete nos principais dicionários da língua portuguesa: O “Novo Aurélio” e o “Houaiss, de sinônimos e antônimos”. Em ambos, os mais de 20 sentidos atribuídos ao termo têm todos conotação destrutiva ou negativa, tais como demolir, arruinar, aniquilar, fazer desaparecer, dar cabo de, extinguir, arrasar, devastar, destroçar, matar, exterminar, desarranjar, desorganizar, desfazer, reduzir a nada, acabar, solapar, prejudicar, eliminar, suprimir, derrubar, desmantelar, desmoronar, desbaratar, derrotar, desfazer, desolar, estragar.

 Como o bilhete está sendo considerado importante prova para incriminar Marcelo Odebrecht pela Lava-Jato (que, aliás, o certo gramaticalmente seria “Lava a jato", a maneira de lavar), é possível que o real sentido de um verbo venha a influenciar a decisão jurídica, em mais uma das muitas surpresas dessa operação. É saber se “destruir e-mail sondas” significa “rebater”, “infirmar”, “desconstituir” ou simplesmente destruir e-mail sondas.


Será que o significado da palavra será adulterado para se ''adaptar'' às necessidades dos meliantes ?