Este espaço é desaconselhável a menores de 21 anos, porque a história de nossos políticos pode causar deficiência moral irreversível.
Este espaço se resume
, principalmente, à vida de quengas disfarçadas de homens públicos; oportunistas que se aproveitam de tudo e roubam sem
punição. Uma gente miúda com pose de autoridade respeitável, que
engana o povo e dele debocha; vende a consciência e o respeito por si próprios em troca de dinheiro sujo. A maioria só não vende o corpo porque este, além de apodrecido, tem mais de trinta anos... não de idade, mas de vida
pública.


OPINIÕES PESSOAIS

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Sobre o Partido de Trapaceiros

 
Uma nota sobre o Congresso do PT
 
César Benjamin
Junho 2015
 


Não gosto quando as pessoas se referem ao PT como “quadrilha”  (pois eu gosto, porque  as pessoas precisam encarar a realidade). Não contribui para o debate e é um desrespeito a inúmeros simpatizantes petistas que são honestos.

 
Porém, é perturbador constatar que o congresso do partido aplaudiu o ex-tesoureiro João Vaccari de pé, por mais de um minuto. Vaccari está preso porque pesam contra ele acusações fortíssimas e bem fundamentadas de que foi um dos coordenadores do processo de pilhagem da Petrobras.


Ao aplaudi-lo assim, o PT aplaude essa pilhagem, solidariza-se com ela, assume publicamente a defesa de uma prática criminosa que fragilizou grandemente a mais importante empresa brasileira, seja do ponto de vista material, seja simbólico. O PT deu uma bofetada no Brasil e nos avisou que faria tudo outra vez.

 
A única explicação para esse comportamento também é perturbadora: ao aplaudir Vaccari freneticamente, demonstrando-se tão solidário a ele, o PT tenta assegurar seu silêncio. Se ele falar o partido acaba.

 
Recentemente declarei que tinha esperanças de que as aspirações da sociedade — e principalmente, da antiga base social do próprio PT — se expressassem no congresso do partido. Eu estava errado. 

 
Qualquer levantamento mostrará que 100% dos participantes do congresso são funcionários do governo, do partido ou de suas organizações afins, como já vinha ocorrendo em congressos anteriores. Não há lá operários de chão de fábrica, professores que estejam em salas de aula, ninguém que compartilhe o dia a dia dos trabalhadores brasileiros.

 
O que mais assusta essa gente, e o que a coesiona, é o pavor de ter de retornar, um dia, ao mundo do trabalho, que ficou para trás. É o triste fim de um caminho.
 
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César Benjamin é economista e editor