Este espaço é desaconselhável a menores de 21 anos, porque a história de nossos políticos pode causar deficiência moral irreversível.
Este espaço se resume
, principalmente, à vida de quengas disfarçadas de homens públicos; oportunistas que se aproveitam de tudo e roubam sem
punição. Uma gente miúda com pose de autoridade respeitável, que
engana o povo e dele debocha; vende a consciência e o respeito por si próprios em troca de dinheiro sujo. A maioria só não vende o corpo porque este, além de apodrecido, tem mais de trinta anos... não de idade, mas de vida
pública.


OPINIÕES PESSOAIS

terça-feira, 7 de abril de 2015

COMANDANTE DE NAVIO REVOLTADO COM MAR - Josias de Souza

  




Josias de Souza
“Hoje, se tem um brasileiro indignado sou eu, indignado com a corrupção.” Com essa frase, dita por L--- num ato público na noite desta terça-feira, o Brasil escalou uma espécie de cume do cinismo.
 
Pior do que a presunção de L--- de que ninguém se lembraria da sua própria cumplicidade com os escândalos é a conclusão de que a presunção é desnecessária.
 
Mesmo sabendo que ninguém desconhece que os dois maiores escândalos da República – o mensalão e o petrolão – têm origem no seu reinado, L--- acredita piamente que ainda pode dizer o que bem entender. E no vácuo moral em que se encontra mergulhado o país talvez possa mesmo. Tudo pode ser dito e feito quando nada tem consequência.
 
Tanto que a “indignação” de L--- tem dois gumes. Serve para manifestar sua repulsa à corrupção e também para realçar sua aversão às delações que desnudaram a petrorroubalheira. Com a delação, “bandido vira herói”, resmungou o morubixaba do PT, antes de sapatear sobre o trabalho criterioso da Procuradoria e do juiz Sérgio Moro.
 
O delator “não precisa nem delatar”, prosseguiu L---. “Vai lá e fala eu acho, eu penso, eu ouvi dizer que fulano de tal fez tal coisa. E já vira manchete. Não precisa mais de juiz, a imprensa já condenou, a manchete já condenou, as pessoas estão perdendo o direito de andar na rua, as pessoas estão sendo agredidas nos aviões, nos restaurantes, sem prova nenhuma – apenas porque alguém que foi acusado disse: ‘olha, eu fiz isso mas eu era tão bonzinho. Eu virei ruim depois.”
 
Num timbre antiatopeótico, L--- bradou: “Canalha já nasce canalha. Bandido já nasce bandido.” Chama-se Paulo Roberto Costa o primeiro “canalha” a celebrar com a força-tarefa da Lava Jato um acordo de delação premiada. Foi nomeado diretor de Abastecimento da Petrobras no primeiro reinado de L---, que chamava o “bandido” de Paulinho. Só deixou o posto, sob elogios escritos, em 2012, já sob Dilma.
 
L--- lamentou “o que estão fazendo com a Petrobras”. Tentam “mostrar que é uma empresa corrupta”. Errou o tempo do verbo. O lamentável é o que fizeram com a estatal. O dinheiro dos cofres da empresa só saiu pelo ladrão porque os ladrões foram empurrados por partidos da coligação oficial dentro do cofres. Tudo com as bênçãos de L---, o indignado.
 
“Se teve corrupção lá dentro não foi corrupção de uma totalidade”, constatou L---, num flerte com o óbvio. “Foi corrupção de uma ou outra pessoa, que terá que pagar o preço por ter enganado o povo brasileiro.” Enganar o povo não foi nada. O inacreditável é que autoridades como L--- e Dilma fujam de suas responsabilidades, refugiando-se atrás da lorota do “eu não sabia”.
 
Sem mencionar-lhe o nome, L--- evocou a delação do ex-gerente Pedro Barusco. Referiu-se a ele como o “cidadão que vai fazer delação premiada e diz que tem não sei quantos milhões lá fora”. A Justiça não só quantificou o desvio (US$ 97 milhões) como já está repatriando a grana, que estava entesourada na Suíça.
 
“Esse cidadão repartiu com vocês?”, perguntou L--- aos militantes que o ouviam. “Ele repartiu com algum partido político ou ele repartiu com a conta bancária dele?” L--- deveria desperdiçar um naco do seu tempo lendo os depoimentos prestados por Barusco. São peças públicas. Nelas, lê-se que, na diretoria que abrigava Barusco, a de Engenharia e Serviços, cabia ao diretor Renato Duque, seu chefe, cuidar do repasse da parte da propina que cabia ao PT.
 
Para desassossego de L---, Duque não era o único provedor do PT. A propósito, em depoimento prestado horas antes de L---  despejar sua “indignação” sobre o microfone, o doleiro Alberto Youssef contou que mandou entregar petropropinas ao tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, na porta do diretório nacional da legenda.
 
L--- nunca viu governos tão maravilhosos quanto os governos do PT. “Ninguém em sã consciência deve deixar de agradecer aos nossos 12 nos de governo, por ter tirado o tapete que escondia a corrupção da sala e escancarar a investigação nesse país. Fomos nós que escancaramos. Fomos nós que indicamos por quatro vezes representantes do Ministério Público indicados pela categoria, sem interferência do governo. Fomos nós que mais do que dobramos o número de agentes da Polícia Federal, mais que dobramos o investimento em inteligência, fomos nós…”
 
A lista de L--- ficaria mais completa se o orador emendasse: fomos nós que levamos a Petrobras ao balcão da baixa política; fomos nós que entregamos diretorias da estatal a apaniguados do PT, do PMDB e do PP; fomos nós que entregamos o comando da Transpetro a um apaniguado de Renan Calheiros por 12 anos, fomos nós que permitimos que o melado do petrolão continuasse escorrendo mesmo depois do envio da bancada do mensalão para a Papuda, fomos nós
 
“Só tem um jeito de um homem e uma mulher não ser molestado nesse país governado pelo PT: é ser honesto e não praticar nenhum desvio”, afirmou L---, desobrigando o país de fazer sentido. L---  indignado com corrupção é algo tão inusitado quanto um comandante de navio rebelando-se contra o mar. O enredo atingiu o ápice. A partir de agora tudo é epílogo.
 
 ***
 

FOMOS NÓS  QUE COLOCAMOS O BRASIL NO BURACO EM QUE SE ENCONTRA!
É o que o ex-presidente deveria ter admitido, embora tenha feito justamente o contrário, como é o seu hábito.
 
 
Aliás,  Dilma disse que ela deverá tirar a Petrobrás do buraco, como se não fosse o PT-Partido de Trapaceiros, que é seu atual partido, o maior responsável pela situação crítica em que está a Petrobrás, o nosso país e, consequentemente todos os brasileiros que são obrigados a pagar todas as asneiras que  o PT vem fazendo.