Este espaço é desaconselhável a menores de 21 anos, porque a história de nossos políticos pode causar deficiência moral irreversível.
Este espaço se resume
, principalmente, à vida de quengas disfarçadas de homens públicos; oportunistas que se aproveitam de tudo e roubam sem
punição. Uma gente miúda com pose de autoridade respeitável, que
engana o povo e dele debocha; vende a consciência e o respeito por si próprios em troca de dinheiro sujo. A maioria só não vende o corpo porque este, além de apodrecido, tem mais de trinta anos... não de idade, mas de vida
pública.


OPINIÕES PESSOAIS

terça-feira, 24 de maio de 2016

DEBOCHE


Segundo disse a Polícia Federal, um dos condenados no mensalão, o ex-tesoureiro do PP,  debochou da Justiça. 

Não debochou apenas da Justiça,

mas o fez  também dos eleitores,  que nele votaram.  

 

João Cláudio Genú, ex-assessor parlamentar do PP O ex-assessor parlamentar e ex-tesoureiro do PP João Cláudio Genú, preso em Brasília nesta segunda-feira (23) durante a 29ª fase da Operação Lava Jato, continuou praticando os mesmos crimes pelos quais era responsabilizado durante o julgamento do mensalão, segundo as investigações.

"Mesmo tendo sido responsabilizado [no julgamento do mensalão], mesmo durante essa fase que ele estava sendo condenado pela maior Corte do Brasil, como um verdadeiro deboche à Justiça, ele [Genú] continuava praticando os mesmos crimes e recebendo propina até o ano de 2013", afirmou o delegado da Polícia Federal Luciano Alves de Lima. "Comprovadamente, pelo menos de 2005 a 2013, esse cidadão vinha recebendo propina", acrescentou.

Na investigação do mensalão, Genú foi acusado de sacar cerca de R$ 1,1 milhão de propinas em espécie das contas da empresa SMP&B Comunicação, controlada por Marcos Valério, condenado por ser o operador do esquema.


Em 2012, Genú chegou a ser condenado no Supremo Tribunal Federal (STF) por corrupção passiva, mas a pena prescreveu. Ele também foi condenado por lavagem de dinheiro, mas recorreu e foi inocentado em 2014.

"No mensalão, Genú foi condenado porque sacou R$ 1 milhão. Na Lava Jato, temos mais de R$ 7 milhões em pagamentos de propina para ele, que assessorava um dos principais criadores desse esquema, que foi o deputado Janene", disse o delegado.

Genú foi assessor do ex-deputado federal José Janene (PP-PR), morto em 2010. Janene foi apontado pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e pelo doleiro Alberto Youssef, delatores da operação Lava Jato, como um dos políticos que atuaram no esquema de pagamento de propina envolvendo a estatal.

O ex-parlamentar também foi denunciado por participação no esquema do mensalão, mas morreu antes de ser julgado.

Segundo o procurador federal Diogo Castro de Matos, Genú "tem um peso estratégico, muito importante para a investigação da Lava Jato porque ele era um dos principais cabeças responsáveis pela distribuição de vantagens indevidas ao PP". 

"O petrolão não nasceu do mensalão, mas em determinado momento os dois esquemas se cruzaram em determinado ponto da estrada e o mesmo know-how do mensalão foi seguido na Petrobras, em razão do grande volume de recursos da estatal para ser sugado no esquema de corrupção", disse o delegado da PF Luciano Flores de Lima.

 

Alvo de outra fase da Lava Jato  (Boechat comenta 29ª fase da Lava Jato)

Não é a primeira vez que o ex-tesoureiro do PP é alvo da Operação Lava Jato. Em julho de 2015, a PF cumpriu mandados de busca e apreensão contra ele. 

Genú foi citado pelos delatores Alberto Youssef, Carlos Rocha e Fernando Baiano como um dos beneficiários de propina, ligado ao PP, dentro do esquema de desvio de recursos da Petrobras. "Segundo essas pessoas, esses recebimentos eram sempre em dinheiro, em espécie", explicou Matos.

Questionado sobre o intervalo de tempo (dez meses) entre a busca e apreensão e a prisão de Genú, o procurador explicou que pagamentos feitos em dinheiro são mais difíceis de serem rastreados.

"Levou um pouco mais de tempo, mas foram identificadas várias aquisições de bens em espécie. Foram identificados diversos depósitos nas contas das empresas, além das entradas dele no escritório de Yousseff e diversas mensagens [dele] de Whatsapp e Skype envolvendo agentes públicos, principalmente da Petrobras e da BR Distribuidora", detalhou. 

O UOL entrou em contato com a presidência do PP, que afirmou em nota que o partido "reitera que não admite a prática de atos ilícitos e reafirma confiar no trabalho da Justiça para que a verdade prevaleça". A reportagem não conseguiu contato com as defesas dos acusados.