E ainda falta a sexta, 13 - Zuenir Ventura
Com a incerteza reinante, quem escreve para ser lido no dia seguinte corre o risco de ser desmentido ou superado pelos fatos. O imprevisível e a velocidade com que o cenário político se mexe, às vezes para não sair do lugar, desorientam o observador. Os que achavam, por exemplo, que a semana só ia esquentar a partir de hoje, com a aguardada votação no Senado da admissibilidade do impeachment de Dilma, tiveram uma segunda-feira de surpresas: acordaram com uma bomba e foram dormir com outra. Entre as duas, perplexidade e confusão. Tudo começou na calada da noite de domingo, quando três personagens se reuniram para anular o ato de afastamento da presidente aprovado pelo plenário da Câmara nos dias 15, 16 e 17 de abril: o titular da AGU, José Eduardo Cardozo, o governador do Maranhão, Flávio Dino, do PCdoB, e o presidente interino da Câmara, Waldir Maranhão. Coube a este apresentar o resultado na forma de um ofício ao presidente do Senado.
A decisão produziu uma onda de reações que foram do deboche à irritação. O ministro Gilmar Mendes, do STF, classificou-a de “Operação Tabajara”. Renan Calheiros recusou-se a aceitá-la e disse que o colega estava “brincando com a democracia”. Eduardo Cunha, até ele, chamou-a de “absurda, irresponsável e antirregimental”. Deputados e senadores oposicionistas se revezaram o dia todo na tribuna repudiando o que classificaram como uma tentativa de golpe, aplaudida evidentemente pelos governistas. Em outras frentes, o presidente interino sofreu não apenas críticas, mas ameaças de destituição. Seu próprio partido, o PP, que o considera “incapaz”, fez saber que ia entrar com um pedido de expulsão e afastamento da presidência interina, sem falar na pressão para a renúncia.

Para os supersticiosos, a semana apenas começou. Ainda falta a sexta-feira, 13.
Maranhão foi usado sem perceber que, se tudo desse certo, as 'loas' cairiam apenas no colo da PresidentA e parte no colo do presidente da AGU. Caso desse errado, como deu, a culpa seria apenas dele. E ele seria o único a arcar com os prejuízos .
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