Este espaço é desaconselhável a menores de 21 anos, porque a história de nossos políticos pode causar deficiência moral irreversível.
Este espaço se resume
, principalmente, à vida de quengas disfarçadas de homens públicos; oportunistas que se aproveitam de tudo e roubam sem
punição. Uma gente miúda com pose de autoridade respeitável, que
engana o povo e dele debocha; vende a consciência e o respeito por si próprios em troca de dinheiro sujo. A maioria só não vende o corpo porque este, além de apodrecido, tem mais de trinta anos... não de idade, mas de vida
pública.


OPINIÕES PESSOAIS

terça-feira, 24 de maio de 2016

O mundo pop do "golpe"


 E l i a n e   C a n t a n h ê d e 

O  “exército  do  Stédi le”  estava  perdendo  a  guerra  da  opinião  pública  e  os  que  ainda  insistem  em  falar  em  “golpe”  trocaram  os  carimbados MST, CUT, UNE  e MTST  por  uma  tropa  de  elite:  os  artistas,  que  se misturam  às mocinhas  boni tas  da  classe média  alta  de Rio  e  São Paulo  que  i lustram  as mani festações  da Avenida  Paulista  e  as  capas  dos  jornais.

Como  a  turma  do  vermelho  é  a minoria  da minoria,  a  estratégia  petista  é  usar  a  transformação  do Ministério  da Cultura  em  Secretaria como  pretexto  para mobilizar  os  aliados  do  ambiente  artístico,  que  acham  chiquérrimo  ser  “de  esquerda”  e,  a  partir  disso,  defendem qualquer  coisa. Os  “movimentos  sociais”  dividem, mas  o  PT  acha  que  esse  “mundo  pop”  soma. É  assim  que  artistas  e  assemelhados invadem  prédios  da  área  de Cultura,  para  ganhar  espaço  nas  TVs  e  atrair  simpatias  entre  os  que  não  entenderam  nada  das  pedaladas fiscais  e  caem  na  história  do  “golpe”.

Se  ainda  há  dúvidas  sobre  por  que Dilma Rousseff  foi   afastada,  basta  olhar  o  rombo  das  contas  públicas:  o  governo  dela  admitia  que  era mais  de R$  90  bilhões  e Henrique Meirelles  e  equipe –  aliás,  excelente  equipe –  já  trabalham  com  quase R$  200  bi lhões. R$  200  bi !

As  pedaladas  foram  exatamente  isso: Dilma  gastou  o  que  tinha  e  o  que  não  tinha  e, mesmo  depois  de  estourar  o Orçamento,  continuou contraindo mais  dívida,  inclusive  sem  permissão  do Congresso. Ou  seja:  ela  “pedalou”  para  esconder  o  rombo,  para  continuar  gastando mais  e mais  em  políticas  populistas  e  para  se  reeleger. É  ou  não  crime  de  responsabilidade?

Aliás,  há  quem  diga,  principalmente  nas  Forças Armadas  e  na  diplomacia,  que  um  outro  crime  de  responsabilidade  de Dilma  foi ,  e  é, insistir  na  história  do  “golpe”  no  exterior.  Para  parlamentares,  isso  configura  calúnia  e  difamações  contra  as  instituições  brasi leiras:  o Supremo,  a Câmara  e  o  Senado.  Sem  falar  nos  ataques  do  PT  ao MP,  à  PF  e  à mídia,  pilares  da  democracia.

Se  faltava  cutucar  os militares,  não  falta mais,  depois  da Resolução  do Diretório Nacional  sobre Conjuntura  em  que  os  petistas  lamentam terem  aproveitado  os  tempos  de  poder  para modificar  os  currículos  das  academias militares  e  promover  oficiais  “com  compromisso democrático  e  nacionalista”.  Por  em  dúvida  o  compromisso  democrático  e  até  o  nacionalismo  de  generais,  almirantes  e  brigadeiros  é  um insulto  às  Forças Armadas.

Apesar  de  as  três  Forças  terem mantido  silêncio  e  distância  da  crise  política,  econômica  e  ética,  o  comandante  do Exército,  general Eduardo Villas Boas,  não  resistiu. Ontem,  ele me  disse  que,  com  coisas  assim,  o  PT  está  agindo  como  nas  décadas  de  1960  e  1970, aproximando­se  do  “bolivarianismo”  de Cuba  e Venezuela  e  “plantando  o  antipetismo  no Exérci to”. Essa  declaração  de  um  comandante militar,  convenhamos,  não  é  trivial.

No  próprio  plano  externo,  a  tese  do  golpe  está  ficando  restrita  aos  próprios  “bolivarianos”. Os Estados Unidos  já  se manifestaram  em sentido  contrário  na Organização  dos Estados Americanos  (OEA)  e  a Argentina  e  o  Paraguai ,  entre  outros,  abortaram  ameaças  conjuntas contra  o Brasil. Venezuela  e  seus  seguidores  podem  ficar  falando  sozinhos.

Nicolás Maduro  diz  que  há  um  golpe  no Brasil, mas  ele  é  que  está  na mira  da OEA. O  diretor­geral  da  organização,  Luis Almagro,  o chamou  de  “ditadorzinho”. Maduro  reagiu  dizendo  que  ele  é  “agente  da Cia”. E,  como Almagro  foi   chanceler  do Uruguai ,  o  ex-presidente Mujica  tomou  as  dores:  “Maduro  está  louco  como  uma  cabra”.

O mundo pop do golpe