Este espaço é desaconselhável a menores de 21 anos, porque a história de nossos políticos pode causar deficiência moral irreversível.
Este espaço se resume
, principalmente, à vida de quengas disfarçadas de homens públicos; oportunistas que se aproveitam de tudo e roubam sem
punição. Uma gente miúda com pose de autoridade respeitável, que
engana o povo e dele debocha; vende a consciência e o respeito por si próprios em troca de dinheiro sujo. A maioria só não vende o corpo porque este, além de apodrecido, tem mais de trinta anos... não de idade, mas de vida
pública.


OPINIÕES PESSOAIS

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Barulho divino

Frei Beto
 
 
Incomoda-nos o silêncio de Deus, tema recorrente na obra magnífica de Carlos Heitor Cony. Até o Papa Bento XVI, ao visitar Auschwitz, em abril de 2010, exclamou: “Por que, Senhor, permaneceste em silêncio? Como pudeste tolerar isto? Onde estava Deus nesses dias?”
 
Albert Camus concluiu que ou Deus é onipotente, mas é mau, ou é bom, mas impotente. De fato, paira a indagação se Deus deserdou a Humanidade ao se constatar tantas atrocidades: de Auschwitz a Hiroshima; do genocídio indígena na América Latina ao uso de drones made in USA que, no Oriente Médio, provocam destruição e mortes até mesmo em hospitais de campanha dos Médicos Sem Fronteiras. Hordas de imigrantes promovem um novo êxodo rumo a países ditos cristãos, e estes, horrorizados, fecham suas fronteiras e seus corações. 
 
Deus faz silêncio na vida de tantos adultos que, na infância, creram nele e, agora, nas pegadas de Nietzsche, o descartam como uma ILUSÃO destinada a tentar compensar na vida além da morte o sofrimento inexplicável nesta existência.
 
Como Deus pode existir se há tantas crianças condenadas à fome, a doenças incuráveis, à crueldade dos adultos?, perguntava Betinho, que foi meu companheiro na Ação Católica. E aqueles que nele creem são mais éticos e justos do que os ateus? As maiores atrocidades da História, como a Inquisição, o colonialismo, a escravatura, o nazismo e as duas grandes guerras, foram cometidas por nações que se consideram predominantemente cristãs.
 
Ora, quantos cristãos enchem a boca com o nome de Deus, e inclusive o bolso graças a ele, e trazem o coração repleto de ira, ódio, vingança e preconceitos! Quantos exploram a boa fé do rebanho de fieis para extorquir, corromper e multiplicar seus negócios, e ainda prometem o inferno a quem os denuncia!
 
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 “Fiz você”, disse Deus. 
Nossos 'vizinhos', também!