Este espaço é desaconselhável a menores de 21 anos, porque a história de nossos políticos pode causar deficiência moral irreversível.
Este espaço se resume
, principalmente, à vida de quengas disfarçadas de homens públicos; oportunistas que se aproveitam de tudo e roubam sem
punição. Uma gente miúda com pose de autoridade respeitável, que
engana o povo e dele debocha; vende a consciência e o respeito por si próprios em troca de dinheiro sujo. A maioria só não vende o corpo porque este, além de apodrecido, tem mais de trinta anos... não de idade, mas de vida
pública.


OPINIÕES PESSOAIS

domingo, 1 de novembro de 2015

Aliança para o progresso e o REGRESSO - Vinicius Torres Freire


Uma coalizão política e social começa a se insinuar neste país dilacerado e degradado. Pode-se não acreditar nela, mas que ela existe, existe, como embrião.
 
Considere-se o PMDB, parte oposição, parte amigo da onça. O partido tira meias sem tirar o sapato. Em novembro, faria um encontro em que ameaçava abandonar o governo moribundo, mas que resiste como zumbi. Assim, o PMDB deixou a reunião "decisiva" para março. Deixou como está para ver como é que ficam crise, Dilma Rousseff, Lava Jato e eleição municipal.
 
Em vez de tirar já o corpo fora, saiu voando em espírito, digamos, como se vê pelo programa "Uma Ponte para o Futuro", chancelado e alardeado por Michel Temer nesta semana. 
 
Trata-se de apelo de "união nacional" em torno de um plano liberal, conduzido por políticos, no Congresso, a fim de abrir o beco sem saída desta "crise grave", causada por Dilma 1 e pelo desajuste "estrutural" da economia devido à Constituição de 1988.
 
No papel, o partido adere como nunca ao programa de reformas liberalizantes que vem sendo proposto com radicalidade inaudita mesmo nos anos FHC. O PMDB candidata-se a líder ou partícipe confiável de nova coalizão antipetista. Quando?
 
A "Ponte para o Futuro" se vende como plano para já. Propõe evitar mais impostos, dar fim ao gasto obrigatório em saúde e educação, ao reajuste automático de salário mínimo e benefícios do INSS, idade mínima para aposentadoria, ajuste fiscal brabo, abertura comercial, revisão da lei trabalhista. Etc.
 
Não difere do programa do PSDB-2014, mas é mais radical. É, grosso modo, o que pensa a maioria dos economistas.
 
Seria um programa da coalizão virtual do pós-Dilma, de PMDB, PSDB, agregados políticos e aliados sociais. Na prática, essa coalizão real tem feito o contrário do que prega. Estoura as contas públicas em votações no Congresso, por populismo e oportunismo baixos ou para destruir Dilma.
 
É ver para crer como um partido das oligarquias regionais renovadas em 1985 e de muito empresário "desenvolvimentista" levaria adiante tal coisa; com quais aliados?
 
Além do mais, há as ruas, ora quietas. A direita e os anti-Dilma não conseguem manter protestos contínuos, por falta de prática e base social militante. A esquerda, perplexa, indignada e meio desmobilizada, apoia Dilma por um fio, por motivos táticos.
 
Mas o efeito social da crise, um impeachment ou a implantação de um programa desses deve acirrar ânimos. Esta crise não é conjuntural. Difícil que seja solucionada sem conflito maior sobre a divisão de fundos públicos e normas econômicas. Esta elite política, que causa REPULSA ou tem escassa legitimidade, será capaz de propor plano tão radical em ambiente tão difícil?
 
Por outro lado, dada a agonia recessiva, um plano desses pode resultar em "restart" econômico rápido, algum alívio geral e, pois, apoio. As empresas, por sua vez, demandam já o regresso da rentabilidade: contenção de impostos, real desvalorizado com inflação baixa, salários contidos (isso é "o ajuste"), o que ora depende de acerto fiscal drástico.
 
O PMDB, sem se comprometer, piscou para essa coalizão ainda virtual, os pedaços do bloco de poder que aos poucos parece se juntar para tocar tal programa.
 
 
 
Quanto ao povo, só cabe pagar e regredir. 

Se você acreditou no inacreditável,
lhe cabe apenas o suicídio,
mesmo sem poder comprar um revólver.

Lembra-se daquele petista que disse que
"quem  não pode comer carne, que coma ovo" ?
Pois é,  se não pode ter uma arma,
jogue-se de um andar bem alto.