Este espaço é desaconselhável a menores de 21 anos, porque a história de nossos políticos pode causar deficiência moral irreversível.
Este espaço se resume
, principalmente, à vida de quengas disfarçadas de homens públicos; oportunistas que se aproveitam de tudo e roubam sem
punição. Uma gente miúda com pose de autoridade respeitável, que
engana o povo e dele debocha; vende a consciência e o respeito por si próprios em troca de dinheiro sujo. A maioria só não vende o corpo porque este, além de apodrecido, tem mais de trinta anos... não de idade, mas de vida
pública.


OPINIÕES PESSOAIS

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Monteiro Lobato e a Igualdade Racial

 
Carta Aberta à Exma. Sra. Nilma Gomes,
Ministra da Igualdade Racial. 
 

 
Pensei muito antes de decidir escrever esta carta aberta à senhora. Trata-se de falar um pouco do que aprendi com Monteiro Lobato ainda menino. Foi pela televisão, vendo os históricos episódios ainda em preto e branco (olha que ironia!) na TV Bandeirantes, que tomei contato com a obra e pedi para lê-la. Depois, já molecão, quase adolescente, pude assistir à deliciosa primeira adaptação feita pela TV Globo tendo as doces Zilka Salaberry e Jacyra Sampaio como Dona Benta e Tia ‘Nastácia, respectivamente. Confesso que a terceira produção, com Nicette Bruno e Dhu Morais eu não me interessei em ver.
 
Aprendi com Lobato sobre mitologia grega e seu comparativo com a mitologia brasileira (africana e indígena). Aprendi com ele sobre a natureza, os animais e as plantas e a possibilidade deles serem mais que nosso alimento, serem nossos amigos. Foi com Lobato que aprendi a fabular e a contar histórias, a soltar a imaginação no exercício que a palavra propõe: colocar imagens em ação! Com ele aprendi sobre quitutes e remendos, sobre a gente do mato e da fazenda. 

 Tataraneto de escravos que sou, de minha avó paterna ouvia as histórias que ela, antes de mim, ouvira de seus antepassados escravos. Ela que foi babá de barões do café, cozinheira de industriais de São Paulo e lavou a roupa suja da elite que jogava nos cassinos clandestinos da Rua 24 de maio. Ela era uma gorda parda que contava ‘causos’ da fazenda, das linhas de trem, dos primos e filhos bastardos que os brancos faziam nas meninas pardas das fazendas. Ouvia histórias de assombração! Ela fazia compotas de todas as frutas que a senhora, Ministra, pode imaginar. Mas não foi com ela que aprendi a palavra compota.

 Essa palavra – compota – aprendi com a mãe de minha mãe, uma portuguesa católica fervorosa de olhos azuis. Filho de operários que sou, dessa avó ouvi fábulas de La Fontaine e contos de Grimm. Coisas dos tempos em que os animais falavam e os objetos tinham vida. Essa avó tinha sentido estético e, em sua casinha de imigrante portuguesa que teve que se virar na máquina de costura, ela emendava retalhos e fazia maravilhas de arte!

 Com Monteiro Lobato aprendi isso. Dona Benta é um braço da nossa cultura: europeia e branca, capaz de falar de mitologia e exercer o bom senso e a lógica racional num piscar de olhos. Tia ‘Nastácia é pura intuição, é nossa herança negra de sacis e quitutes, de simpatias e feitiços, de magia e amor! 

 Sobre a tão decantada Emília, alvo dos que pretendem julgar a obra de Lobato meramente racista, há que se lembrar que ela era feita de pano e forrada de macela, não tinha miolos e muito menos coração. Seus pares, Pedrinho e Narizinho (ele, mais moleque da terra e ela, mais sinhazinha do nariz empinado), adoravam engambelar a boneca faladeira que abria invariavelmente sua “torneirinha de asneiras”. Emília tinha sonhos de grandeza, queria ser marquesa e acabou casada com um leitão. Era fruto da sociedade monarquista e escravocrata que o Brasil há poucas décadas havia abandonado. Emília não respeitava os animais, não ligava para as regras de convivência e estava pouco se lixando para os outros. Ela queria aparecer, ter dinheiro em sua canastra e, em certa feita, enfrentou até a obra de Deus querendo mudar a natureza!

 Ora, Ministra, não precisamos banir Monteiro Lobato da escola. Precisamos, sim, ter professores capazes de fruir a obra com nossas crianças do mesmo modo que tentei fazer agora com a senhora!
Não seja mais um fantoche de pano forrado de macela, por favor!
 
 *****
 
Quem vai discutir se Monteiro Lobato era ou não um tremendo racista, como  todos os brancos podem ser considerados na época.   Tudo depende de uma era, da moda de um momento .  Não podemos esquecer que muitos pintavam suas veias para que parecessem mais azuis do que eram,  pois todos queriam ser cada vez mais brancos, embora não o fossem. 
A história da humanidade vai evoluindo (ou retroagindo ?) e as cores do homem, principalmente do brasileiro, foi-se misturando   até chegarmos ao que nos tornamos hoje.  Um povo que jamais poderá se dizer totalmente branco, negro ou amarelo.  É tudo uma mistura só! 
E ainda querem falar em Igualdade Racial, como se isso existisse, num país onde não existe o que se poderia chamar de etnia.
 Se querem criar mais um Ministério, que usem sua criatividade,  mas não queiram inventar o inexistente.